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Apresentação e História da Associativa de Caça e Pesca de Peredo da Bemposta

BREVE CARACTERIZAÇÃO DA ZONA DE CAÇA ASSOCIATIVA DE PEREDO DA BEMPOSTA

A Zona de Caça Associativa de Peredo da Bemposta ocupa uma área de cerca de 1710 hectares, distribuída por duas áreas ecológicas distintas que condicionam toda a vida neste território e são fundamentais para a manutenção das espécies, quer da fauna, quer da flora e da vegetação, quer dos sistemas agrários de que também dependem os humanos:
Existe uma faixa territorial planáltica, que se situa entre os 600 e os 700 metros de altitude, onde predominam as culturas atlânticas que estão associadas aos processos de ocupação humana com uma clara vocação agro-silvo-pastoril. Destaca-se o mosaico planáltico com parcelas de cereais, de forragens, de lameiros, de bosquetes de carrascos e carvalhos, alguns povoamentos de resinosas, de castanheiros e de vinhas.
Na outra zona que se desenvolve com pendentes muito acentuadas, com imponentes afloramentos rochosos, quer para o rio Douro, quer para a Ribeira da Bemposta, até aos 300 m de altitude, podemos observar densas manchas de vegetação autóctone, dominadas pelos carrascos, zimbros, lodões, sobreiros e matos de vegetação diversa (de arçãs, giestas, estevas etc.). Nas encostas menos escarpadas ocorrem parcelas agrícolas de dimensão variada, nomeadamente olivais alternando com amendoais, por vezes em socalcos de pedra, e também vinhedos e até laranjais, muitas delas em estado de abandono.
Na envolvência dos dois núcleos urbanos (Peredo da Bemposta e Algosinho), faz-se alguma horticultura para autoconsumo. Associadas à actividade rural, bem enquadradas na identidade paisagística da região, ocorrem construções diversas, como é o caso dos pombais, das curriças e palheiros, muros, muretes e os cegonhos (picotos). Os cerca de 50 pombais que existem na área da zona de caça associativa, tiveram outrora uma enorme importância não só na economia das explorações agrícolas, mas também uma enorme importância ecológica, pois os pombos são presas de algumas rapinas que estão hoje em risco de extinção.
Como já foi referido, a existência destas duas áreas ecológicas, planalto e arribas, é fundamental para a manutenção da grande quantidade de espécies: nas arribas muitas espécies animais encontram refúgio, segurança e tranquilidade para pernoitar e procriar; nas zonas planálticas dada a maior actividade agro-pecuária, encontram a disponibilidade alimentar.
Segundo dados do Parque Natural do Douro Internacional, onde a ZCA se insere, existem 238 espécies animais, das quais 28 são mamíferos, 169 são aves, 17 são répteis, 11 são anfíbios e, nos cursos de água já referidos, 14 são peixes.

Mamíferos
Destacamos apenas a presença de algumas espécies de mamíferos: Esporadicamente ainda é possível observar o Lobo (Canis lupus) que é, sem dúvida, o mamífero mais ameaçado desta área e tem, por isso, um elevado estatuto de conservação. O mesmo se passa com o Gato-bravo (Felis silvestris). Mais comuns são a Geneta (Genetta genetta),a Raposa (Vulpes vulpes), a fuinha (Martes foina) e o Texugo (meles meles).
Felizmente, é já com alguma frequência que podemos observar o Corço (Capreolus capreolus) e o Javali (Sus scrofa), que já se pode considerar abundante, fazendo parte das espécies cinegéticas que se exploram na ZCA. Outras duas espécies cinegéticas exploradas são a lebre (Lepus capensis) e o coelho bravo (Oryctolagus cuniculus).
Nas linhas de água ocorre a Lontra (Lutra lutra) e o Rato-de-água (Arvicola sapidus).
Estão também assinalados algumas espécies de morcegos e de outro micromamíferos.

Aves
Como vimos, o grupo faunístico de maior representatividade é o das aves. Também segundo dados do PNDI, das 169 espécies registadas,110 nidificam aqui. Em termos metodológicos podem considerar-se 4 grupos principais: as aves rupícolas, as aves florestais, as aves estepárias e as aves aquáticas. Em qualquer dos grupos, existem populações residentes e populações migradoras.
Do primeiro grupo, que reúne espécies que habitam escarpas rochosas do Douro, podem ser observadas no território da ZCA aves emblemáticas e raras como a Cegonha-preta (Ciconia nigra), Abutre do Egipto (Neophron percnopterus), Grifo (Gyps fulvus), Águia-real (Aquila chrysaetos), Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus), Falcão-peregrino (Falco peregrinus), Bufo-real (Bubo bubo), Andorinhão-real (Apus melba), Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), Andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris), Melro-azul (Monticola solitarius), entre outras. Do ponto de vista cinegético, existem abundantes populações de Pombo-das-rochas (Columba livia).
Relativamente às aves florestais, ocorrem algumas rapinas, tais como o Milhafre real (Milvus milvus) e o milhafre preto (Milvus migrans). Também podem ser observados a Toutinegra tomilheira (Sylvia conspicillata), a Toutinegra real (Sylvia hortensis), a Pega azul (Cyanopica cyana) esta última em franca expansão que poderá evoluir para praga. As espécies cinegéticas deste grupo que podemos encontrar são a Rola comum (Streptopelia turtur),o Pombo torcaz (Columba palumbus), e quatro espécies de tordos o tordo comum (Turdus philomelos), o tordo ruivo (Turdus iliacus), a tordeia (Turdus viscivorus) e, menos frequente, o tordo zornal (Turdus pilaris).
No mosaico do planalto (lameiros, terrenos de cereal, vinhedos, floresta de produção, matos, etc.), podemos observar o Tartaranhão caçador (Circus pygargus), o Alcaravão (Burhinus oedicnemus), recentemente também o Sisão (Tetrax tetrax), o estorninho preto (Sturnus unicolor), a laverca (Alauda arvensis), o abibe (Vanellus vanellus), entre outras. As espécies cinegéticas mais frequentes são a perdiz vermelha (Alectoris rufa),a codorniz (Coturnix coturnix)., a galinhola (Scolopax rusticola) e a narceja comum (Gallinago gallinago).

Peixes
Este território é limitado a nascente e a sul pela ribeira de Bemposta e pela albufeira da barragem de Aldeiadávila de la Ribera no rio Douro. Nestes dois cursos de água, actualmente, o grupo dos peixes é constituído por 14 espécies, ainda que nas últimas décadas tenha havido alterações no seu número e composição.
Em termos de ictiofauna autóctone com interesse para a pesca, ocorrem o Barbo-comum (Barbus bocagei), a Boga-de-boca-direita (Chondrostoma polylepis), o Escalo (Leuciscus cephalus). Foram introduzidas, de forma ilegal, diversas espécies como a Carpa (Cyprinus carpio), o Pimpão (Carassius auratus), o Lúcio (Esox lucius), a Perca-sol (Lepomis gibbosus), a Truta-arco-íris (Oncorhynchus mikyss), o Achegã (Micropetrus salmoides), que na maioria dos casos trouxe efeitos nefastos sobre a ictiofauna autóctone. Outrora, antes da construção das barragens no rio Douro a Enguia (Anguilla anguilla) era bastante abundante.

AS ACTIVIDADES AGRÁRIAS E AS ESPÉCIES CINEGÉTICAS

As espécies cinegéticas residentes que constam do plano de exploração da Zona de Caça Associativa são a perdiz vermelha (Alectoris rufa), a codorniz (Coturnix coturnix), a lebre (Lepus capensis), o coelho bravo (Oryctolagus cuniculus),o pombo-das-rochas (Columba livia), o pombo torcaz (Columba palumbus),a raposa (Vulpes vulpes) e, como espécie de caça maior, o javali (Sus scrofa).

As espécies cinegéticas migradoras que se podem caçar são a rola comum (Streptopelia turtur) e quatro espécies de tordos, o tordo comum (Turdus philomelos), o tordo ruivo (Turdus iliacus), a tordeia (Turdus viscivorus) e, menos frequente, o tordo zornal (Turdus pilaris).

Todas as espécies cinegéticas, quer as residentes, quer as migradoras (tal como as outras espécies da fauna), dependem directa ou indirectamente das actividades agrárias.

Assim as espécies estepárias concentram-se mais na zona planáltica onde se podem alimentar nas searas, nos pousios, nos lameiros, nas hortas e nas vinhas, locais que usam também para procriar. Dada a drástica diminuição da produção cerealífera que se verificou desde a década de 1980, a associação realiza algumas sementeiras de gramíneas e leguminosas, tentado assim colmatar, de uma forma insipiente, as carências deste biótopo.
Na área das arribas, o abandono agrícola não é tão evidente, continua a haver vinhas, olivais e amendoais bem cultivados, bem como muitas espécies silvestres fornecedoras de frutos e, por isso, as espécies que dependem deste habitat continuam a ter uma enorme disponibilidade alimentar. É o caso das migradoras de inverno que, logo que vão chegando, têm ao seu dispor vastas áreas de baga de zimbro, amoras, figos, etc..
Pelo que ficou exposto, podemos concluir que sem as actividades agrárias (agricultura, floresta e pecuária), as espécies da fauna silvestre não teriam uma vida fácil, pelo que deverá haver uma convivência harmoniosa entre caçadores e agricultores, suprimindo conflitos e criando sinergias.