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Tradições

Na freguesia de Peredo da Bemposta destaca-se a Festa em honra de Santo Cristo da Saúde, celebrada no primeiro domingo de Agosto. Segundo alguns testemunhos, no início da década de trinta do século passado, a aldeia de Peredo da Bemposta foi abalada por uma doença que vitimava os animais. Houve então necessidade de pedir protecção divina para que tal fenómeno fosse combatido.
Um grupo de homens daquela época reuniu-se e resolveu sortear, depois de reunidos os nomes dos respectivos santos existentes na igreja e capelas da aldeia, o nome do santo que viria a ser eleito como o protector da saúde dos referidos animais. Nesse sorteio foi  apurado o Santo Cristo da Saúde, da Capela do Cemitério Paroquial. De imediato houve discordância em relação a este santo, por ter imagem talvez um pouco degradada e pertencer à capela do cemitério. Na realização do segundo sorteio, verificaram que tinha, de novo, saído o nome de Santo Cristo. Mais uma vez, houve constestação. Então, fez-se o terceiro sorteio e, por incrível que pareça, surgiu o nome do santo pela terceira vez consecutiva. O grupo, perante os factos, rendeu-se à evidência.

Foi de imediato constituído o grupo de mordomos que iria realizar a festa pela primeira vez. Pelos vistos, o mesmo grupo deu continuidade à realização das festas seguintes. Mais tarde, outro grupo se encarregou da organização da mesma. Também foi constituída  a Irmandade do Santo Cristo da Saúde, à qual aderiu a maior parte da população da aldeia e arredores. Tem servido esta Irmandade, ao longo dos tempos, para angariar fundos destinados aos ofícios religiosos dos irmãos falecidos no decorrer do ano.

É de referir que, até essa altura, a festa principal da aldeia era em honra do São João, padroeiro da igreja. Desde a primeira celebração em honra do Santo Cristo da Saúde, as festividades religiosas e recreativas foram sobrevalorizadas  relativamente às do São João.

Após o cumprimento do respectivo sorteio houve, obviamente, necessidade de estabelecer o momento adequado à realização das festividades. Foi então escolhido o primeiro fim-de-semana do mês de Maio, após a realização da Festa da Santa Cruz em Ventoselo,  que sempre se festejou a três de Maio. Foi salvaguardada a seguinte situação: se, por coincidência, esta festividade se realizasse num domingo, então o Santo Cristo da Saúde passaria para o domingo seguinte. Assim se manteve até 1976, altura em que o grupo de mordomos desse mesmo ano entendeu, por maioria, transferir as festividades em honra do  Santo Cristo da Saúde para o primeiro fim-de-semana do mês de Agosto. Segundo os testemunhos recolhidos, deveu-se essa transferência à dificuldade que os estudantes e emigrantes tinham de poder participar nas festividades e confraternizar com as respectivas famílias.

Do ritual religioso fazem parte integrante as procissões, antes e após a celebração eucarística, com os andores engalanados de Nossa Senhora de Fátima, do Menino Jesus, de Nossa Senhora do Rosário e do Santo Cristo da Saúde, o pálio e os belos estandartes.

Na primeira procissão realizava-se o encontro do Santo Cristo, que vinha da Capela, com Nossa Senhora, sendo feitas três vénias junto a um grande olmo que existia no cruzamento da Malhada. Hoje, tudo se processa do mesmo modo, mas sem vénias. Também deixaram de se integrar as cruzadas que faziam parte das procissões, há já uns anos.

As promessas eram pagas através de donativos expostos nas fitas colocadas para o efeito no andor do Santo Cristo da Saúde. Actualmente,  os devotos passaram a fazer as entregas em sacos próprios que os mordomos transportam junto ao andor.

Se, hoje, as procissões são acompanhadas por bandas filarmónicas, nos primeiros anos das festividades  havia sempre um grupo de gaiteiros da região contratados para o efeito.

No momento da despedida do Santo na Capela, ao longo dos anos,houve sempre uma grande descarga de fogo-de-artifício.

De realçar que, se no início as promessas eram feitas em prol da protecção de epidemias de animais, depressa os devotos do santo passaram a implorar eventual recuperação de saúde para si próprios e respectivas famílias.

Relativamente à parte recreativa, a animação não mudou muito, apenas as novas tecnologias trouxeram grandes novidades a nível de som e de luz. Mas continua a haver gaiteiros, tal como no passado, bom vinho maduro e a gastronomia tradicional da aldeia. Outra novidade dos últimos anos tem sido a realização da noitada de sábado com muita música ao vivo. Também o espaço físico é de grande dimensão, na Avenida Nossa Senhora de Fátima, junto à sede da Junta de Freguesia e Casa do Povo, onde é montado um enorme palco para a actuação de grupos  de música “ pimba” e “ rock”. O convívio é intenso e a cerveja fresquinha não falta.

Professor Américo Amaro

 

Em Peredo da Bemposta realizam-se, ainda, as Festas de São João (24 de Junho) e de Santa Bárbara (em Outubro).
Na povoação de Algosinho decorrem as Festas de Santo André (30 de Novembro) e de Santo António (13 de Junho).
Na freguesia não se realizam feiras. No entanto, os moradores desta região podem deslocar-se a Mogadouro e visitar as suas feiras nos dias 2 e 16 de cada mês.

As canções mais características da freguesia são os Cantares das fainas agrícolas.

Os jogos mais característicos desta freguesia são o jogo do fito e o jogo da malha.
Para se jogar o fito é necessário duas pedras e dois marcos, sendo estes colocados em pé à distância de 10 ou 20 metros um do outro. Dois ou quatro jogadores, neste caso formando equipa, tentam derrubar o fito, isto é, o marco, ou pelo menos conseguir que a sua pedra fique o mais próxima dele. Aquele que derrubar o fito ganha 4 pontos, e o que conseguir ficar mais próximo fica com 2 pontos. O vencedor será aquele que conseguir arrecadar 40 pontos.

Tradicionalmente o jogo da malha é jogado pelos homens. Para tal é necessário 4 malhas de ferro e 2 pinoucos de madeira. O objectivo deste jogo consiste em derrubar o pinouco com a malha, saindo vencedor o jogador que atingir um máximo de 30 pontos.
Estes jogos são praticados durante todo o ano.

GASTRONOMIA
Dos pratos típicos da freguesia destacam-se as vagens secas com bucho e pé de porco (na época do Entrudo), o folar, o cozido à transmontana, os enchidos e a suculenta posta mirandesa.
Eis algumas receitas.

Cozido à Transmontana

Ingredientes:
carne de vaca para cozer
meia galinha
1 pé de porco
entrecosto
chispe
presunto
chouriço
farinheira
salpicão
toucinho salgado
bacon
orelheira fresca e fumada
couve portuguesa (penca) ou coração
cenouras, batatas
nabos
sal
azeite

Preparação:
Numa panela grande coza em água todas as carnes. Aquelas que forem salgadas devem ficar de molho umas horas, só depois se podem pôr a cozer. Regue a água da cozedura com um fio de azeite e tempere a gosto. Por ordem de cozedura mais rápida, vão-se tirando os enchidos, depois as carnes de porco, e só no fim, depois de bem cozida, a carne de vaca.
Nesta água de cozer as carnes, meta os legumes já mencionados no início.Quando cozidos, retire a panela do lume, deixando os legumes dentro.Para servir, corte as carnes, disponha numa travessa com os respectivos legumes.
Acompanha feijão branco cozido, cozido na água dos legumes, e arroz de forno ou branco.

Folar da Páscoa

Ingredientes:
1 kg de farinha
12 ovos mais uma gema
350 g de gordura (150 g de manteiga, 150 g de banha, 50 g de azeite)
30 g de fermento de padeiro
1 salpicão pequeno
200 g de presunto
1 chouriço de carne (linguiça)
salsa

Preparação:
Peneira-se a farinha com um pouco de sal fino para um alguidar e faz-se uma cova no meio. Desfaz-se o fermento de padeiro em 0,5 dl de água tépida, deita-se na cova da farinha e vai-se envolvendo nela.
Colocam-se os ovos inteiros, com a casca, numa tigela e cobrem-se com água morna (não quente). Alguns minutos depois, abrem-se para dentro da farinha (sempre ao centro) e vai-se fazendo absorver a farinha trabalhando-a a partir do centro.

Juntam-se as gorduras e põem-se a derreter sobre lume brando. Juntam-se à massa e trabalha-se tudo adicionando a quantidade de água necessária para se obter uma massa fina. Em seguida, bate-se a massa com as duas mãos até esta se desprender completamente do alguidar. A massa considera-se bem batida quando à superfície aparecerem umas bolhas. Nesta altura polvilha-se a massa com um pouco de farinha, cobre-se com um pano e envolve-se o alguidar com um cobertor. Coloca-se num local tépido e onde possa receber mesmo uma certa quantidade de calor, mas indirectamente. Nestas circunstâncias, a massa leva mais ou menos 2 horas a levedar.

A massa está levedada quando atingir o dobro do volume e quando ao abrir apresentar um aspecto rendado.Tem-se um tabuleiro rectangular, cujos bordos não devem exceder 8 cm de altura, muito bem untado com banha. Cortam-se o chouriço e o salpicão às rodelas e o presunto às tiras. Divide-se a massa em três partes, devendo uma delas ser um pouco maior. Estende-se esta parte maior e forram-se com ela o fundo e os lados do tabuleiro. Espalha-se por cima metade da porção das carnes e cobre-se com a segunda parte da massa, sobre a qual se dispõem as restantes carnes. Finalmente, tapa-se o folar com a terceira parte da massa e unem-se os bordos a esta camada final.Deixa-se o folar levedar novamente até aparecerem à superfície umas bolhinhas. Nesta altura, pincela-se com gema de ovo e leva-se a cozer em forno bem quente durante cerca de 45 minutos.

Posta à Mirandesa

Ingredientes:
1,2 Kg de carne de Vitela Mirandesa
Sal grosso, de preferência integral (sem substâncias químicas)

Preparação:
O lume das brasas deve estar forte no início. As brasas incandescentes devem estar distribuídas de forma regular no fogareiro ou lareira de forma a proporcionarem uma distribuição uniforme do calor. A grelha deve ser colocada a uma altura de cerca de 10 centímetros das brasas. A carne deve ser cortada em postas de uma espessura de 3 a 4 cm. (cerca de 300 gramas por carne).Coloque a carne na grelha sem tempero nenhum. Após esta operação, e caso deseje, tempere com sal grosso. Volte a carne, sem espetar, quando aparecerem pequenas pérolas de sangue na superfície superior. O tempo que a carne está na grelha depende do seu gosto especial, consoante prefira a carne bem ou mal passada.

Para conservar a suculência da carne, esta não pode ser picada. Ao voltar a carne, o lume deve estar forte para que se crie uma crosta que impeça a saída dos sucos. Contudo, esta crosta não deve ser espessa, porque o calor penetra na carne de forma deficiente e a carne acaba por ficar queimada por fora e mal grelhada por dentro.
Acompanhe com batata frita e salada.

Estes pratos regionais podem ainda ser saboreados com um vinho maduro da região.

Como especialidades da doçaria regional destacamos o Folar Doce, o pão-de-ló, e os económicos.

Bolos económicos

Ingredientes:
6 ovos;
1 l de leite;
1 cálice de aguardente;
500 g de açúcar;
1 colher (de sopa) de canela;
Farinha até tender;
2 colheres (de chá) de fermento em pó;
Gema de ovo para dourar;
Açúcar e canela para polvilhar.

Preparação:
Batem-se os ovos com o açúcar. Mistura-se a aguardente, a canela, o leite e a farinha com o fermento e bate-se muito bem a massa, que deve ficar mole.
Deitam-se montinhos com uma colher de sopa em tabuleiros polvilhados com farinha (devem ficar separados porque crescem muito). Ao sair do forno, barram-se com gema de ovo e polvilham-se com açúcar e canela.

ARTESANATO
Em tempos idos, os habitantes da freguesia de Peredo da Bemposta dedicavam-se à cestaria, manufacturando cestos de vime.